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Moda

Tudo sobre Upcycling: Upcycling é a nova moda?

Atualizado em 15 de dezembro, 2017

Tudo sobre Upcycling: Upcycling é a nova moda?

Tudo sobre Upcycling: Upcycling é a nova moda?

Há quase dois anos, a estudante de Moda, Danielle Vermeer, fez o compromisso de não comprar nada novo.  O que começou como um desafio prático para evitar o excesso de consumo e o excesso de gastos, tornou-se uma filosofia de vida.  Ela começou a se questionar sobre a origem de sua roupa, quem a fez e de que foi feita.

Pesquisando mais sobre a indústria de vestuário, cadeias de suprimentos e tendências de sustentabilidade, ela descobriu em suas pesquisas o conceito curioso do Upcycling.

Apesar de ter origens nos anos 90, ainda hoje o conceito possui um grande potencial de descoberta e transformação no Brasil e no mundo.

Upcycling é o processo de criar algo novo e melhor a partir de itens antigos. Em contraste com a reutilização ou a reciclagem, o Upcycling usa materiais existentes para melhorar os originais.

É a reutilização de um material que se tornaria lixo, sem a necessidade de intervenções químicas, além de ter um custo mais baixo. É a nova roupa, sem consumir energia, poluir o ar e a água, sem emitir gases de efeito estufa resultantes da indústria.

O conceito de reaproveitamento e da continuidade do ciclo de vida do produto ganha cada vez mais força e é uma nova forma de tornar o planeta mais sustentável.

O Upcycling não significa reciclar, mas recriar.


UMA NOVA ECONOMIA

Assim como ocorreu com a Danielle, o conceito tem produzido milhares de simpatizantes pelo mundo e já revela um potencial para embasar uma nova economia, pois há muito o que reaproveitar por aí.

De acordo com o Sinditêxtil-SP, só para se ter uma ideia, nas confecções do Brás e do Bom Retiro, na região central de São Paulo, todos os dias são geradas 20 toneladas de retalhos de tecido, material que é colocado nas calçadas e recolhido por caminhões como lixo comum.

Outro dado surpreendente foi revelado pela Unilever, no início de 2017: 33% dos consumidores preferem marcas que impactem positivamente a sociedade ou o meio ambiente, sendo que esta é uma tendência maior em países emergentes como o Brasil, onde 85% dos clientes afirmam se sentir melhor quando adquirem produtos fabricados de maneira sustentável.

Esses dados demonstram o grande potencial do Brasil, que é uma potência da indústria têxtil, para a Economia Circular, que pode ser entendida como oposta à Economia Linear, que por sua vez implica “extrair >produzir> descartar”.

Na Economia Linear o crescimento econômico depende do consumo de recursos finitos, a geração de um volume sem precedentes de resíduos inutilizados e potencialmente tóxicos para nós e os ecossistemas.

Agustina Comas, professora do curso online Upcycling da AprendeAí e do Instituto Rio Moda, explica que a Economia Circular é o conceito que reflete o “Slow Fashion”, ou seja, novas formas de produção e consumo que só beneficiam os consumidores e o planeta e que vieram para ficar.

O resultado final geralmente é um produto ou item que é único, feito à mão e sustentável. Por exemplo: nas casas das nossas avós, reutilizar ou reciclar roupas usadas ​​é historicamente quase sempre usá-las como panos de limpeza. No Upcycling, a ideia é você recriar as camisas em uma calça, uma saia ou em novos modelos de camisas.

É cada vez mais evidente que ainda podemos pensar diferente e agir de forma mais consciente quando o assunto é moda.

O Upcycling é uma das maneiras mais inovadoras de transformar a indústria da moda por três razões:

  1. É sustentável: O Upcycling reduz a roupa e os resíduos têxteis reutilizando o tecido para criar roupas e produtos novos.  Fazer uma única camiseta de algodão exige uma quantidade imensa de água, enquanto usar uma camiseta pré-existente para fazer algo novo exige quase nenhuma água. Além disso, o Upcycling pode evitar que novos resíduos têxteis se acumulem em aterros sanitários.
  2. É rentável: Semelhante à redução de resíduos, o Upcycling pode ser menos caro, pois os materiais usados ou pré-existentes custam uma fração do custo dos materiais já fabricados.
  3. É criativo: O Upcycling requer criatividade para transformar o potencial dos materiais existentes para criar algo novo e bonito.


É PRECISO IR ALÉM DO DISCURSO

O consumidor precisa ficar atento e criar uma visão crítica para não cair no Green Washing, que é quando organizações promovem discursos ecologicamente corretos, mas não adotam medidas reais relacionadas a sustentabilidade.

Está na moda ser sustentável e todos querem lançar marcas com isso e estar nisso. Mas é essencial conhecer quem está fazendo a coisa certa de fato e por quê, para confiar na marca e continuar incentivando belas iniciativas. Veja alguns exemplos:

Banco de Tecidos

O Banco de Tecidos, em São Paulo, é a mostra que “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, e na moda também”. Com essa ideia em mente, a figurinista e cenógrafa Lu Bueno criou o projeto que é uma loja apenas com sobras de boa qualidade de materiais já usados por ela e outros colegas de profissão. As sobras ficam disponíveis em prateleiras e caixas plásticas e são vendidas por 35 reais o quilo, independentemente de ser de seda pura ou algodão.

BumpBox

Quando se está grávida, porque trocar todo o guarda roupa enquanto o barrigão cresce? A BumpBox incentiva o reuso das roupas entre as grávidas por meio da dinâmica do aluguel de roupas. A empresa possui opções de caixas, cada uma contendo 4 peças chaves para a nova mamãe, mas cada uma em um estilo diferente. Após quatro semanas, é possível devolver as peças ou ainda renovar a assinatura.

 

 

 

Comas

É a marca da estilista Agustina Comas, professora do curso online Upcycling, que foca no upcycling de camisas com defeito. A Comas reutiliza saias e camisas e seu processo criativo as transforma em novas peças. “Queremos sempre deixar o produto com cara de atemporal, que possa ser usado em qualquer estação ou situação – o que aumenta o tempo de uso dele. E sempre prezamos por algo bem acabado, pra despertar o desejo do durável”, afirma Agustina Comas.

 

 

 

 

 

 

Insecta Shoes

É uma marca 100% brasileira que produz sapatos e acessórios ecológicos e veganos, tem o reaproveitamento como palavra-chave. A marca é gaúcha, de Porto Alegre, e surgiu em 2014, da união de duas outras marcas também gaúchas que tinham como base o upcycling e a moda ética. A parceria resultou em dar vida nova a peças com ótimas estampas, mas que por conta de alguns defeitos pequenos, já não podiam voltar para as araras.

As novas formas de reuso daquilo que não tem mais utilidade hoje são sinônimos da moda consciente e criativa. E são milhares os novos produtos e negócios criados dentro do conceito do Upcycling.

 

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