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Carreira

Muito do que você aprendeu não serve mais. E agora?

Atualizado em 25 de agosto, 2017

Muito do que você aprendeu não serve mais. E agora?

Muito do que você aprendeu não serve mais. E agora?

Em um mundo com fortes mudanças, as habilidades e competências necessárias anteriormente para alcançar o sucesso no mercado de trabalho também mudaram.

Até 2020, mais de um terço das habilidades importantes serão substituídas por outras, de acordo com o Relatório Global da Consultoria Manpower Group, divulgado no último Fórum Econômico Mundial.

Relacionando esta previsão com a realidade atual do mercado, pode-se presumir que apenas os profissionais com capacidade de se adaptar às mudanças, de se capacitar de acordo com as novas realidades e de identificar quais novas habilidades são necessárias para ele, conseguirão sobreviver.

Afinal, de nada adianta dezenas de ferramentas e tecnologias avançadíssimas se não há pessoas capacitadas por trás delas para as operar.

Em suma, aprender rápido é a habilidade que fará com que você sobreviva nesse cenário. Uma nova habilidade, que pode ser desenvolvida em cursos online ou presenciais, vai desde o pensar de forma mais criativa, analítica, digital, estratégica, entre outras, e será muito importante neste novo cenário.

Isso é o que vai te ajudar a assimilar, continuamente, as novas necessidades que surgirão numa velocidade espetacular nos próximos anos. Por isso, aprender novas habilidades é a metacompetência, ou seja, uma aptidão que ajuda todas as outras que você quer desenvolver.

Portanto, comece se perguntando:

  1. Qual é a competência essencial que eu quero, e preciso, desenvolver para conquistar todas as outras?
  2. O que eu consigo tirar e pôr na mochila, conforme a minha necessidade?
  3. Talvez essa seja uma das únicas certezas em um mundo de incertezas.


CARREIRA EM T

Para Pedro Waengertner, cofundador e CEO da ACE, Aceleradora de Negócios, o caminho também mudou – e talvez já nem haja apenas um caminho. “Estamos vivendo o início de uma grande revolução – algo comparável apenas ao início da primeira revolução industrial. E para isso, é preciso olhar o mundo com novos olhos”.

“As universidades foram criadas como lugares que aglutinam conhecimento, mas o conhecimento deixou de estar lá. Se eu fizer uma pergunta aqui, todo mundo vai pegar o celular e responder”, explica Waengertner. Segundo ele, no mundo de hoje, não é o conhecimento disponível que faz com que as pessoas tenham carreiras brilhantes, mas o que cada um faz com esse conhecimento. “A chave é estar sempre aprendendo, mas não é algo passivo, precisa casar o conhecimento com algo prático.”

Quem acha que a carreira em Y é algo moderno já está obsoleto. O útil agora é desenhar a sua carreira em T, defende Waengertner.

Empresas modernas trabalham com esquadrões, que são formados de acordo com os problemas que estão postos naquele momento. Depois que são solucionados, são dissolvidos e criados novos esquadrões. Nessas células, os profissionais trabalham com pessoas de outras áreas e disciplinas.

“Esse método de gestão, cada vez mais, vai atingir as empresas tradicionais”, diz Waengertner. Assim, todos precisam se preparar para essa nova formação das empresas.

Ter uma carreira em T significa estar adaptado a esse cenário. “Você precisa ter um conjunto de habilidades mais genérico (horizontal do T), mas ser muito bom em uma coisa (vertical). Assim, na hora de formar esquadrões, você consegue fazer outras coisas, que não são exatamente a sua formação”, diz ele. “Times ágeis precisam disso, mas a gente foi acostumado a pensar ao contrário, que você tem de fazer só uma coisa.”

“Não há mais aquele peso de ter de escolher o que você vai prestar no vestibular”, diz Waengertner. Ele defende que as pessoas precisam testar novas profissões e se expor a novas experiências para o seu desenvolvimento pessoal e profissional. “A carreira do futuro é uma carreira que a gente não cai nela sem querer”, explica ele. A chave aqui é ter sempre a sensação de que você está crescendo.

“Não tem nenhuma aula, o curso na faculdade nunca nos ensina a não ser um babaca com as pessoas”, diz ele. Mas essa é uma habilidade extremamente importante, e que diferencia o profissional humano da máquina – algo importante no novo mercado de trabalho.

“A gente pensa em ter sucesso em 20 anos e poder viajar o mundo, mas no meio do caminho acontecem mil coisas que atrapalham esse caminho”, diz ele. É preciso pensar no sucesso durante a sua carreira, fazer o que te faz feliz no presente, não só no futuro. Ao mesmo tempo, é preciso repensar o risco. “A gente acha que pular de uma carreira para outra é um risco, mas isso é olhar para a vida atual com os olhos do passado. Risco hoje é ficar parado, se você se mexer, pelo menos está indo para algum lugar.”

SOLDADORES DA GE SE JUNTAM EM NOVA CARREIRA COMO PROGRAMADORES DE ROBÔS

Ice Man, Viper, Goose, Hollywood. Qualquer fã do cinema dos anos 1980 reconhece os apelidos dos competitivos pilotos no filme Top Gun — Ases Indomáveis. Mas esses também são os nomes de quatro robôs soldadores que estão sendo programados por um grupo de caras que são tão competitivos e solidários quanto os pilotos de Top Gun.

Os integrantes do grupo não começaram como programadores de computador. Eles eram soldadores. Stephen Holt trabalhou com soldagem por 20 anos até mudar para a programação. Holt sempre se considerou um artesão. “Você é a solda que maneja; esta é sua assinatura”, conta. “Não é algo que todo mundo consegue fazer.”

A soldagem realizada na unidade de soluções industriais para locomotivas da GE em Fort Worth, Texas, exige precisão e força, o que a torna uma tarefa ideal para robôs. Mas treiná-los requer experiência e cérebro humanos. Por isso, a GE ensinou um time de soldadores a programar robôs para que façam o trabalho duro. Crédito: GE Manufacturing Solutions

Porém, por volta de 2015, aos 41 anos, ele começou a perceber que talvez não conseguisse soldar por muito mais tempo. Holt ajuda a construir plataformas, a base onde fica a locomotiva, na unidade de soluções industriais para locomotivas em Fort Worth, no estado norte-americano do Texas. As plataformas têm 22,8 metros e pesam aproximadamente 55 toneladas. O trabalho de soldagem nas plataformas demanda muito fisicamente, exigindo que os soldadores se curvem, ergam peso e virem.

Assim, quando a unidade ofereceu a Holt e seus colegas soldadores uma oportunidade de aprender a programar robôs soldadores, ele logo se alistou. “A ideia de encontrar um jeito de ainda conseguir fazer soldagem, mas, sabe, talvez ainda ser capaz de andar e se curvar quando tiver 60 anos — bom, esse era o meu negócio”, diz ele, rindo. “Além disso, após trabalhar com solda durante 20 anos, só de pensar em novas tecnologias e em um novo jeito de melhorar seu ofício — quer dizer, por que não querer fazer isso?”

Fontes: Relatório Global da Consultoria Manpower Group, GE e Revista Época