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Criatividade

Criatividade e estresse: um é bom para o outro?

Atualizado em 20 de setembro, 2018

Criatividade e estresse: um é bom para o outro?

Criatividade e estresse: um é bom para o outro?

Aqui estão três tipos diferentes de estresse, sua conexão com a criatividade e como sua carreira pode estar à beira do trabalho mais inventivo que você já fez com o tipo e a quantidade certos de estresse.

1. O estresse de “alternância de tarefas”

Em um recente estudo comportamental conduzido pela Columbia Business School, os pesquisadores propuseram aos participantes um brainstorming criativo para vários projetos enquanto usavam um de três estilos de trabalho. Alguns poderiam mudar de projeto sempre que quisessem, outros dividiriam seu foco na metade e um terceiro grupo mudaria continuamente para um projeto diferente em um intervalo definido.

E a equipe mais original foi o…

Grupo três! A chamada “alternância de tarefas”, embora com um ritmo muito mais rápido, agita o processo de pensamento antes que ele chegue num beco sem saída e isso acontece com frequência.

“Ao tentar resolver problemas que exigem criatividade, muitas vezes chegamos a um beco sem saída sem perceber”, explicam os autores do estudo na Harvard Business Review. “Alternar regularmente entre duas tarefas em um intervalo definido pode redefinir o seu pensamento, permitindo que você aborde cada tarefa sob novos ângulos.”

A troca frequente de marcha obriga você a mudar sua visão de cada tarefa ao revisitá-la. Esse estilo de trabalho promove mais criatividade e evita o “pensamento rígido” que ocorre quando você se concentra por muito tempo no mesmo projeto. Você sabe como é isso: o bloqueio mental de escrever, projetar, analisar ou pensar em uma coisa tão difícil que você esgota o assunto.

Mudar de assunto renova sua visão de cada tarefa, solucionando esse problema clássico. Ou seja, a criatividade de Thomas Edison provavelmente tem uma correlação direta com o tamanho de sua lista de patentes.

2. O estresse “significativo”

Recentemente, dois psicólogos chineses publicaram um estudo sobre fatores estressantes no trabalho e seus efeitos sobre a criatividade de mais de 280 funcionários em vários negócios. O que eles descobriram é que nem todo estresse atrapalhava a produção de boas ideias. Os fatores estressantes que eram vistos como construtivos e desafiadores para os objetivos e o desenvolvimento de um funcionário tinham uma ligação direta com a produção de ideias.

Por outro lado, o estresse que era visto como um obstáculo para esses objetivos produziu o efeito oposto.

O que fez a diferença? O primeiro fator estressante tem significado para o funcionário e é outra maneira de o estresse nos tornar mais criativos.

Teresa Amabile, professora da Harvard Business School, explica essa ideia em seu livro “O princípio do progresso“. Ela sugere que há quatro condições de estresse em que você sente o calor:

  1. “Em uma esteira”: seu trabalho tem alta pressão, mas pouco significado.
  2. “Em piloto automático”: seu trabalho tem baixa pressão e pouco significado.
  3. “Em uma expedição”: seu trabalho tem baixa pressão, mas muito significado.
  4. “Em uma missão”: seu trabalho tem alta pressão e muito significado.

Aqui está uma matriz desse conceito elaborada pela consultora de marketing Kim Tasso:

Quatro condições que conectam estresse e criatividade, segundo Kim Tasso.

Imagem via Red Star Kim

Tanto “em uma esteira” quanto “em piloto automático” são ambientes de trabalho altamente repetitivos e, portanto, menos envolventes, exigindo pouca criatividade. No entanto, “em uma expedição” e “em uma missão” são mais voltados para objetivos e mais significativos para você como resultado. Esse significado é precisamente o que estimula a criatividade, segundo Amabile.

Quando as pessoas alcançam objetivos que consideram significativos, Amabile escreve em seu livro, elas “sentem-se bem, aumentam sua autoeficácia positiva” e “ficam ainda mais entusiasmadas para realizar o próximo trabalho”.

A relação entre estresse e criatividade aqui depende de como você percebe o estresse a que está submetido em um determinado momento.

Ele está ligado a um objetivo que você considera significativo? Ele empurra você para atingir esse objetivo? Se assim for, essa pequena dose de estresse pode ajudá-lo a pensar fora da caixa e impulsionar sua carreira.

 

3. O estresse do “prazo”

Talvez o fator estressante do trabalho mais comum de todos, as restrições de tempo são a praga de todos que são pagos para fazer qualquer coisa. Mas, como os dois cenários anteriores demonstram, certas quantidades de pressão são importantes para manter uma tarefa criativa avançando.

Para este terceiro fator estressante, vamos analisar um estudo de caso de Amabile, detalhado em “O princípio do progresso”, no qual ela pesquisou equipes criativas de sete empresas em três setores.

Ela descobriu que, embora prazos apertados atrapalhassem a criatividade, o mesmo acontecia com prazos folgados. Alerta de spoiler: a terceira situação, prazos moderados, produziu as melhores ideias.

A primeira situação tinha um prazo apertado no qual as pessoas estavam executando um trabalho de “esteira”, com alta pressão e pouco significado.

Os esforços desses funcionários simplesmente não estavam causando impacto e, portanto, eles não viam significado suficiente no trabalho para pensar criativamente.

Eles enfrentaram crises, tarefas específicas para essa finalidade e as proverbiais simulações de incêndio que os mantiveram ocupados, mas não mais perto de terminar seu projeto principal.

Prazos folgados também prejudicaram o pensamento criativo, especialmente se permitiam que as pessoas se dissolvessem em grandes equipes de projeto, parassem para ajudar os outros ou ficassem muito tempo na mesma tarefa (lembra-se da “alternância de tarefas”?).

Isso nos leva à principal descoberta de Amabile: os profissionais que estavam com um prazo curto a moderado, a opção intermediária entre “apertado” e “folgado”, mostraram mais criatividade em cada organização, seguidos por aqueles que estavam com prazos apertados.

O estresse de uma data de entrega pode não ser empolgante, mas um ambiente sensível ao tempo pode dar ao seu trabalho o foco que ele merece e ajudá-lo a afastar as distrações que podem inviabilizar uma linha de pensamento inspirada.

“Se as pessoas e as empresas sentem que têm um prazo real, elas entendem, elas abraçam”, escreveu Amabile em um artigo da Forbes. “Elas entendem a importância do que estão fazendo e a importância de fazê-lo rapidamente. E, se estão protegidas, para que possam se concentrar, é muito mais provável que sejam criativas.”

Não deixe um artigo que fala bem do estresse estressá-lo. A relação entre estresse e criatividade é complexa, e qualquer um desses fatores estressantes em excesso pode acabar com a criatividade.

Pressão demais, tarefas demais ao mesmo tempo e trabalhos com um tempo de resposta muito curto podem prejudicar o produto final.Tenha em mente que os intervalos necessários são tão saudáveis quanto as restrições do projeto em si.

Fonte: Hubspot