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Empreendedorismo

A morte de sua startup: já pensou nisso?

Atualizado em 26 de Maio, 2017

A morte de sua startup: já pensou nisso?

A morte de sua startup: já pensou nisso?

Fred Lacerda

Todo empreendedor nasce sabendo que a sua startup está no mundo apenas por tempo determinado.

A própria definição de startup de Steve Blank (“uma startup é uma organização temporária desenhada para buscar modelos de negócios replicáveis e escaláveis”) decreta o seu fim precoce ao caracteriza-la como “uma organização temporária”.

Todas as startups devem acabar rápido: ou por darem certo e se transformarem em uma empresa em crescimento; ou por darem errado e deixarem de existir, de forma a permitir que os empreendedores possam alterar o foco da sua atenção a outras oportunidades.

É claro que a maior parte dos empreendedores é otimista e acredita fortemente no sucesso de suas startups.
Caso não fosse assim, eles não teriam nem começado. Mas boa parte deles não quer nem pensar no “não dar certo” e tem medo da possibilidade do seu fim estar no outro extremo: na morte de suas startups.

A MORTE DE UMA STARTUP É SIM UMA REALIDADE PRÓXIMA


 

Empreendedores que já estão há mais tempo no “ramo” sabem, entretanto, que a morte é uma possibilidade próxima e constante em boa parte do tempo.

É muito difícil que durante a jornada de criação de um negócio, você não se veja a frente da possibilidade de fechar as portas algumas vezes. Portanto, o grande desafio do empreendedor é saber lidar com essas situações, buscando a saída para que seus negócios dêem certo.

Ao longo dos últimos 4 anos, acelerei startups que tinham claramente definido a data-limite das suas operações (o chamado “runway”). Muitas vezes fui obrigado a mostrar a fundadores a dura realidade de que seus negócios iriam morrer mais cedo do que eles pensavam (ou do que gostariam de enxergar).

E este é um exercício de consciência, no qual você não deve ter medo de saber que o seu dinheiro vai acabar, mas deve ter noção da realidade para poder adaptar e priorizar as suas ações a tempo de encontrar um caminho que dê certo, antes que seus recursos se esgotem.

 JÁ PENSOU QUE TEMER A MORTE PODE SER UMA MOTIVAÇÃO PARA VOCÊ?


Um empreendedor que conheço escreveu um texto justamente sobre esse assunto, compartilhado abaixo na íntegra. Este é o seu exercício de consciência e a certeza de que ele está priorizando agora as atividades e ações que precisam ser realizadas.

Veja abaixo um depoimento do Bruno Ducatti, que é CEO e co-fundador da VetSmart,  uma startup promissora em fase de crescimento acelerado, com geração de receita crescente e uma base de usuários fiel. Hoje é uma das maiores empresas digitais na indústria de veterinária.

“Steve Jobs uma vez sintetizou: ‘Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo – expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar – caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração.’

Para a manutenção da sintonia psicológica positiva nada pode ser mais eficaz do que contemplar a morte e extrair do seu desligamento imperativo absoluto o encorajamento que um empreendedor necessita.

Inerente à maioria das nossas ações, está a necessidade de perpetuação da espécie e garantia de sobrevivência.

As batalhas pela vida de nossos ancestrais tinham cenários diferentes. A caçada instintiva e capital do mundo moderno é o trabalho bem sucedido. O que te dará acesso aos recursos básicos para seguir vivendo e existindo é o seu salário, arrecadação ou pro-labore.

Quando você empreende, você desvia de um padrão, você quebra paradigmas, você desafia e consequentemente desperta pavor pois rompeu um equilíbrio instaurado na maioria da população avessa a radicalizações.

Seja ele mais ou menos intenso, o medo está no dia a dia do empreendedor.

Como seres vivos somos binários para maiorias dos medos se ausentarmos reflexões: Trabalhar e empreender é batalhar pela vida, não trabalhar e fracassar é ameaça à vida e aproximação da morte.

Dissecando o fracasso encontramos a possível vergonha social e a rotulação negativa, auto-flagelação por ter sido subversivo e, principalmente, o desperdício de tempo (horas de vida) e extinção de novas possibilidades de sucesso.

Porém, ao manter em mente a finitude e efemeridade da vida, tanto da nossa própria quanto de todos os públicos a nossa volta, e também ao enxergar nossas atitudes como experimentos com variáveis controladas com um destino já selado, como disse Steve Jobs, qualquer ameaça é desarticulada.”

UM MAL NECESSÁRIO


Parece banal, mas um exercício diário com a reflexão sobre o fim natural de nossa existência e crenças renova nossas forças, intenções e ideias. Se não teme a morte, você não teme nada, muito menos os desafios de empreender.

Fred, é mentor do novo curso Kick Start, é co-fundador da 21212 e responsável pela seleção e operação do programa de aceleração. Ele compartilha lições aprendidas durante o seu dia a dia junto às startups.