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3 atitudes para arruinar sua reputação profissional

Atualizado em 11 de julho, 2018

3 atitudes para arruinar sua reputação profissional

3 atitudes para arruinar sua reputação profissional

Rodrigo Giaffredo
Professor do Ferramentas Ágeis: Acelerando a Transformação Digital
Agile Transformation Leader | IBM
Veja mais no canal “Inovação Possível” do YouTube

 

Estranho esse título né… mas com o passar do tempo tenho percebido que existem armadilhas muito sutis em que a gente cai de bobeira mesmo, porque elas se parecem com situações cotidianas e inofensivas, mas lá no fundo elas escondem uma capacidade brutal de arruinar nossas reputações.

E é normal ser assim, afinal com o passar do tempo a tendência é a gente ir ficando mais espertinhos, daí pra nos pegar tem que caprichar nas elaborações dos esquemas.

Exatamente quando eu pensava sobre isso, caiu uma ficha pra mim, que é o poder do contra-exemplo, por isso quero desenrolar esse rolê aqui contigo partindo de um contra-exemplo, e te dando minha opinião sobre como seria uma forma legal de lidar com as paradas erradas que podem acontecer contigo, e em última instância arranhar pra sempre a imagem que você demorou pacaraca pra construir.

Pra criar o contexto ideal, te convido a imaginar junto comigo uma situação onde aquele seu coleguinha amado, que quer te ferrar sempre, a qualquer custo – fácil hein, quem não tem um desses por perto?

Não precisa ser só no trampo aliás, porque afinal eles estão por toda parte – chegando na tua cara e dando aquela rasgada, te acusando de alguma coisa que você não fez, ou tentando inverter uma situação pra livrar a própria cara e te colocar numa fria.

Nesse momento, existem três coisas que se você fizer, com certeza vão queimar seu filme pra sempre, de um jeito tão eficaz que dali em diante você não vai precisar fazer mais nada errado em toda a sua existência, porque todos os seus créditos-mancada de uma vida inteira serão consumidos numa fração de segundos.

A primeira é espanar geral e partir pro confronto direto, pro conflito mesmo, de maneira explosiva com o máximo de energia destrutiva possível. E se você fizer isso pra se defender então, melhor (ou pior) ainda!

Seja bastante emocional, bata na mesa, grite, veja as gotas de saliva voando na direção do rosto do seu algoz em forma de chuveirinho, sinta seus olhos esbugalharem, as orelhas esquentarem, e se a fúria for gigantesca o suficiente, perceba a coriza escorrer pelo seu nariz.

Ah, outra coisa, se você perceber que naquele exato momento seu agressor-passivo fez aquela cara de coitado, de vítima acuada pelo monstro descontrolado, aí você cresce mesmo, de vez.

Interrompe enquanto ele tenta começar o chororô, gesticula bastante, mas não deixe barato em hipótese alguma. Nem pare pra pensar no objetivo do ataque, muito menos na estratégia por trás daquela ceninha armada.

Apenas reaja, sem pensar, com muito furor.

Agora, se você quiser manter sua reputação intocada, de repente valeria a pena tentar ouvir o que está por trás dos insultos. Mas tem que respirar, pensar, e prestar muita atenção, porque normalmente isso não será dito de maneira expressa. Mas que vai dar pra perceber, isso vai.

Sinais corporais, atos falhos, ironias, sarcasmos. Enfim, escute o que está escondido nos insultos, respire, pense, e somente então responda, mas não de qualquer jeito…

A segunda coisa a se fazer diante de uma situação dessas, caso sua intenção seja o auto-extermínio social, é focar no argumento de acusação, e tentar refuta-lo a todo custo.

Metralhe o adversário com justificativas de todos os tipos pra provar que você está certo.

Afinal, depois de ter explodido mais forte que uma granada, todos estarão prestando profunda atenção ao que você falará em seguida, não é verdade? Óbvio que não.

E olha só, nada de tentar acalmar os ânimos e trazer a conversa pra um nível de argumentação decente. Mantenha a temperatura alta, os nervos inflamados, e a musculatura totalmente enrijecida.

Demonstre que você é o injustiçado, e faça isso da maneira mais estridente possível.

Por outro lado, se você decidir que quer realmente resolver a situação de maneira definitiva, e favorável a você, talvez você possa optar por fazer perguntas certeiras, num tom de voz brando, perguntas que exponham as artimanhas do seu acusador, e o deixem com sérias dificuldades de se explicar.

Nesse caso, quanto mais fechadas, conectadas com seu ponto de vista, e diretas forem as perguntas, melhor.

Lembre-se, seu objetivo é encerrar o assunto de maneira positiva, porém inquestionável.

Finalmente, ainda no intuito de pular de cabeça no abismo da auto-piedade e se espatifar completamente no pedregal da auto-destruição explícita, você pode encerrar a cena com chave de ouro confundindo a cilada armada com algum sentimento de perseguição pessoal.

Esqueça completamente o fato de que a arena corporativa se assemelha muito aos palcos de peças teatrais bem ensaiadas e encenadas, onde um roteiro elaborado previamente é seguido com paixão e maestria por atores sociais que agem movidos por um dos instintos mais latentes e essenciais para a vida humana, que é o instinto de sobrevivência.

Seja antipático, evite enxergar a situação pelos olhos do seu agressor, ignore suas motivações e ignore também o fato de que ele tem um plano e um desejo que o levaram a te atacar.

Pense consigo mesmo “isso é pessoal, sempre foi, ele nunca me enganou, nunca gostou de mim, blá blá blá buá buá buá” e deixe-se dominar por esse pensamento.

Confunda as bolas e perca o controle sobre suas palavras. Ao invés de argumentar sobre o assunto, comece a relembrar cenas do passado, acuse seu algoz de perseguições sistemáticas recorrentes atemporais, e de preferência, envolva os demais no drama com perguntas do tipo “não é fulano, não é verdade o que eu estou falando, não foi sempre assim fulano, você tá de prova né?”

Mas, caso não tenha conseguido encerrar o assunto usando as perguntas diretas, você ainda pode – na tentativa de sair dessa situação ileso, com razão e em paz – separar totalmente a situação difícil que precisa ser resolvida, da pessoa difícil que precisa ser encarada de frente.

Mergulhe fundo nas razões do dissimulado, e refute sua história, não sua pessoa.

E aí, estranho pensar na situação desse jeito né? Chega a dar uma náusea ressentir situações como essa, principalmente se for o caso de você ter reagido de forma explosiva, irracional e antipática.

Mas quer saber? O que passou, passou.

Te convido a fazer um teste: da próxima vez que uma assombração dessas aparecer na sua vida, tente escutar nas entrelinhas, usar perguntas poderosas e identificar as motivações do seu agressor, pra só então elaborar e executar sua estratégia de resposta.

Não tô dizendo que vai ser fácil, mas que vai ser muito mais legal, ah isso vai.